A abelha melífera, Apis mellifera, é um dos principais polinizadores dos ecossistemas na Europa e no mundo, desempenhando um papel crucial na biodiversidade e na segurança alimentar. No entanto, as taxas de mortalidade das colónias nos apiários têm atingido valores alarmantes, tendo-se aproximado dos 35% em algumas regiões do mundo no período de 2019-2020. Por outro lado, continua a existir um conhecimento muito limitado sobre a distribuição, densidade e sobrevivência das colónias silvestres na Europa, cujo estatuto na Lista Vermelha da União Internacional de Conservação da Natureza, foi recentemente reclassificado como ”Ameaçada” nos 27 Estados-Membros da União Europeia.
O projeto FREE-B tem como objetivo colmatar esta lacuna de conhecimento, explorando a resiliência das colónias silvestres ou de vida livre (FLCs), de forma a aproveitar o seu potencial para desenvolver soluções transformadoras, baseadas na natureza, para beneficiar o sector apícola e não só. O termo “colónias silvestres” ou ”colónias de vida livre” (abreviadas como FLCs, do inglês free-living colonies), refere-se às colónias que escolheram o local para fazer o seu ninho, seja numa cavidade de uma árvore, numa colmeia abandonada, ou em estruturas construídas pelos humanos, como chaminés, muros, telhados, etc.
Os principais objectivos do projeto FREE-B são identificar a distribuição das FLCs na Europa e compreender os mecanismos envolvidos na sua sobrevivência. Para tal, o projeto irá analisar os fatores biológicos, comportamentais, genéticos, patológicos e ambientais que contribuem para a sua resiliência através de seis Pacotes de Trabalho (abreviados como WP, do inglês Work Package):
O WP1 irá mapear as FLCs encontradas pelos apicultores e cientistas cidadãos e através de um método conhecido por ”bee-lining”, culminando no desenvolvimento de uma ferramenta online de registo das FLCs.
O WP2 irá avaliar o impacto de fatores ambientais (por exemplo, gradiente latitudinal, composição da paisagem e clima) nos parâmetros demográficos críticos (tais como taxa de ocupação, densidade e sobrevivência), através de monitorização de campo periódica e padronizada em toda a Europa.
O WP3 irá aplicar tecnologias genómicas tanto a FCLs como a colónias dos apiários, com o objetivo de explorar as diferenças genéticas entre os dois grupos e compreender a sua relação com a sobrevivência.
O WP4 irá explorar e compreender o impacto dos factores ambientais, doenças e parasitas na sobrevivência das FLCs em comparação com as colónias dos apiários.
O WP5 irá implementar uma experiência piloto com colónias FLCs sobreviventes, compilar uma base de dados de leis e regulamentos relacionados com a gestão de FLCs e promover a conservação e integração de FLCs em vários habitats.
O WP6 coordena a comunicação tendo por objetivo aumentar a visibilidade do FREE-B e das FLCs, envolver os apicultores e os cidadãos, divulgar os resultados do projeto e informar os decisores políticos.
Grace é professora de Zoologia e dirige o Centro de Investigação de Abelhas de Galway com uma equipa de colaboradores, estudantes de doutoramento e pós-doutorados. Os seus interesses residem na biologia evolutiva e, em particular, na utilização de dados moleculares para compreender como os organismos se relacionam entre si e o impacto que isso pode ter na conservação e na evolução das caraterísticas dos organismos. Grace é apicultora há 12 anos e gere atualmente 15-30 colónias. Começou a interessar-se por FLCs em 2015 e, desde então, tem investigado a sua sobrevivência, diversidade e distribuição. Interessa-se tanto pela conservação da abelha negra, Apis mellifera mellifera, como pela resiliência das abelhas não tratadas à Varroa e a outros desafios introduzidos pelos humanos.
Joachim é professor associado de Entomologia, especializado na sanidade dos insectos, especialmente nos agentes patogénicos e nas doenças dos insectos benéficos. O seu principal interesse são os vírus que infetam as abelhas: a sua transmissão, epidemiologia, evolução e ecologia adaptativa, e a forma como estes são afetados por factores internos e externos. Estes fatores vão desde a rápida evolução dos vírus em experiências laboratoriais controladas até às alterações a longo prazo ao nível da paisagem no habitat das abelhas, ecologia e alterações climáticas. Joachim é apicultor há mais de 25 anos, gerindo atualmente entre 25-50 colónias em vários apiários em Uppsala, na Suécia.
Andrzej é um investigador especializado na ecologia de insectos associados a cavidades das árvores. A sua investigação combina ferramentas moleculares, morfometria e análises ecológicas para investigar a biodiversidade, a estrutura populacional e a conservação de insetos saproxílicos, incluindo a abelha melífera. O seu trabalho tem contribuído para aprofundar a compreensão da introgressão genética na abelha melífera, das preferências de hospedeiro em escaravelhos eremitas e o papel ecológico das avenidas rurais como refúgios e corredores para espécies vulneráveis. Andrzej participou ainda em estudos sobre a identificação de subespécies de abelha melífera, genética populacional e estratégias de conservação. Através de uma abordagem interdisciplinar, procura avançar avançar o conhecimento das interações inseto-planta, bem como apoiar iniciativas de conservação eficazes em paisagens fragmentadas.
Alice é professora no Instituto Politécnico de Bragança (IPB) e investigadora do Centro de Investigação de Montanha (CIMO). Dedica-se há mais de 25 anos ao estudo da abelha melífera, tendo desenvolvido um interesse particular por esta espécie durante o seu doutoramento, enquanto estudava uma fascinante população de abelhas silvestes que vivia em cavidades de carvalhos num refúgio de vida selvagem no Texas, EUA. Atualmente, a sua investigação centra-se nos processos, tanto naturais como mediados pelos humanos, que moldam os padrões de diversidade genética existentes nas populações de abelha melífera, com especial incidência na compreensão da base genética da adaptação local em diferentes subespécies.
Fabrice é um investigador sénior com interesse em agroecologia e ecologia de polinizadores. A sua investigação centra-se nas respostas dos polinizadores às mudanças na estrutura da paisagem, na exposição a agroquímicos e nas pressões de fatores bióticos (invasivos), bem como nas implicações subsequentes para a conservação biológica e os serviços ecossistémicos. Para isso, combina geralmente o uso de experiências laboratoriais, monitorização de campo e técnicas de modelação, e tem um interesse crescente em abordagens sócio-ecológicas inclusivas. O seu trabalho está orientado para perspectivas aplicadas, incluindo o desenvolvimento de ferramentas de apoio à decisão para informar as políticas ambientais e os stakeholders.
Steve é cofundador e Diretor de Projeto Honey Bee Watch, uma coligação global dedicada a compreender como as FLCs sobrevivem através da seleção natural. Além disso, co-produziu a NYC Honey Week, co-fundou o BCN Honey Fest em Barcelona, foi o principal produtor da conferência Learning from the Bees em 2019 e faz parte da equipa organizadora da edição de 2026, produziu a série de oradores BEES, DREAMS & MEDICINE e fundou The Ambeessadors. Esta última tem como missão ligar a comunidade apícola e sensibilizar para a importância das abelhas e dos polinizadores promovendo a sua valorização através da investigação, da organização de eventos, de programas educativos, das artes e do ativismo.
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